Com apoio da biometria e IA, o sistema de segurança se consolida como tendência nacional
Redação | Mídia Oficial | Foto: Archive internet
Com o objetivo de fortalecer a segurança nos condomínios por meio de soluções tecnológicas, a portaria remota vem ganhando espaço como um importante complemento e, em muitos casos, uma alternativa ao modelo tradicional com porteiro presencial. De acordo com o levantamento Panorama do Setor de Segurança Eletrônica, divulgado em 2024 pela ABESE (Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança), mais de 12 mil prédios no Brasil já adotaram essa solução, que combina monitoramento 24 horas, agilidade no controle de acessos e significativa redução de custos operacionais.
Com o avanço dessas tecnologias, a proteção de dados pessoais tornou-se uma preocupação central. A entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabeleceu diretrizes claras sobre a coleta, uso e armazenamento dessas informações. No entanto, a aplicação prática da lei ainda depende da iniciativa dos gestores condominiais. Embora os dados biométricos devam ser armazenados em sistemas centralizados e hospedados em nuvens seguras, não é incomum que, por limitações orçamentárias, falta de conhecimento técnico ou simples negligência, essas informações acabam sendo salvas localmente em computadores no próprio condomínio, prática não recomendada por expor o sistema a riscos de invasão e vazamento.
O Portal Mídia Oficial conversou sobre o tema com José Júlio Pereira, especialista em tecnologia e segurança condominial. Ele reforça a importância da atuação ativa do síndico:
“A LGPD esclarece os papéis e responsabilidades no tratamento de dados pessoais. Sua aplicação efetiva começa quando o síndico assume seu papel de protagonista e insere essas questões na sua pauta de prioridades”, afirma.
Para o especialista, é igualmente fundamental que os moradores estejam atentos e atuem como agentes de cobrança e transformação: “O tema precisa entrar na pauta estratégica do condomínio: deve ser compreendido, debatido e, principalmente, implantado.”
Uma portaria mais segura e econômica
Nesta entrevista à Mídia Oficial, José Júlio aborda as principais tendências e desafios da segurança condominial no país. Ele destaca o avanço das portarias remotas e o crescimento do uso do reconhecimento facial como método biométrico preferido, superando chaves, cartões e senhas pela eficiência, praticidade e segurança. Apesar disso, ressalta que o sucesso desses sistemas não depende apenas da tecnologia, mas também da forma como os dados biométricos são armazenados e protegidos.
José Júlio Pereira é engenheiro formado pela Escola Politécnica da USP (POLI) e AMP pela Harvard Business School. Com mais de 30 anos de atuação em empresas e consultorias no Brasil e na Ásia, tornou-se referência nas áreas de Gestão, Tecnologia da Informação e segurança condominial. Atualmente, é especialista no desenvolvimento e implantação de soluções tecnológicas para controle de acesso em condomínios, com foco em sistemas biométricos, segurança da informação e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
MÍDIA OFICIAL – Qual o sistema biométrico que se destaca?
JOSÉ – A portaria remota vem substituindo métodos tradicionais, como chaves, cartões e senhas, oferecendo mais segurança, praticidade e economia no controle de acesso dos condomínios. Entre os sistemas biométricos, o reconhecimento facial já se destaca como o mais utilizado. Atualmente, o dado biométrico mais comum é o facial, mas ainda existe uma boa base instalada de leitoras de digital, assim como os chaveirinhos (tag) e teclados com senha que estão em desuso.A preferência pelo reconhecimento facial também se deve a limitações práticas da leitura digital. Apesar dos avanços da eficiência da leitura digital, algumas pessoas têm suas digitais mais difíceis de ler e muita gente se sente desconfortável com a questão da contaminação pelo toque. Já a leitura por íris, embora seja altamente precisa, ainda está distante da realidade condominial. Apesar de efetiva, ainda é muito cara e pouco disponível. No entanto, tão importante quanto a tecnologia em si é a forma como os dados biométricos são armazenados e protegidos.
MÍDIA OFICIAL – Essa vulnerabilidade abre brechas para vazamentos de dados sensíveis?
JOSÉ – Infelizmente, acontece de criminosos acessarem dados se o sistema de controle de acesso for projetado e implantado por empresas amadoras que desconhecem questões básicas de segurança da informação. Costumamos dizer que ‘segurança é como vinho: se você não entende e escolhe só por preço, depois não adianta reclamar de dor de cabeça.
MÍDIA OFICIAL – O que fazer para evitar esses riscos?
JOSÉ – Para evitar esses riscos, é fundamental escolher fornecedores especializados. Investigando a reputação profissional da empresa, privilegiando empresas consolidadas nesse mercado, filiadas à ABESE (Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança), com boas referências de projetos e manutenção de mercado. É importante exigir medidas concretas, como conformidade à LGPD, segurança de redes, conhecimentos de cibersegurança e atualizações constantes recomendadas pelos fabricantes dos equipamentos e softwares utilizados. Outro ponto que precisa ser levado em conta é que a portaria remota além de aumentar a segurança pode representar uma redução significativa de custos. Um sistema de segurança eletrônica bem definido, bem implantado e operado à distância é muito mais seguro do que uma portaria presencial tradicional, que geralmente é o elo mais vulnerável na segurança condominial.
MÍDIA OFICIAL – Quando comparado com a economia no Brasil
JOSÉ – Existem atualmente dezenas de milhares de casos implantados com sucesso no Brasil, sem falar nos custos mensais 60% menores, sem comentar os passivos trabalhistas e dissídios da portaria presencial. Sobre a eficácia do reconhecimento facial, o especialista garante que os sistemas modernos são altamente precisos. Conseguem diferenciar gêmeos, mas obviamente a configuração de leitura, se for feita com precisão muito apertada, essa eficiência toda pode causar uma não liberação de um usuário comum que apenas mudou seu penteado ou corte de cabelo.
MÍDIA OFICIAL – A eficiência geral supera a capacidade de um porteiro tradicional?
JOSÉ – Sim. O leitor facial apresenta uma eficiência de leitura inúmeras vezes superior à memória visual e assertividade de decisão de um porteiro presencial tradicional.
MÍDIA OFICIAL – E as falhas no sistema?
JOSÉ – Boatos sobre falhas graves nesses sistemas são infundados.A maioria absoluta é fake news mesmo, disseminadas por pessoas despreparadas e mal intencionadas que acreditam que manter porteiros presenciais dando acesso baseado em memória visual irá interromper um processo histórico de evolução e modernidade.O cúmulo da tentativa de manipulação foi um vídeo totalmente falso e surreal mostrando um facial abrindo para um cachorro. Infelizmente, teve gente que acreditou.
MÍDIA OFICIAL – Com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) em vigor, as responsabilidades sobre o tratamento de informações pessoais são claras?
JOSÉ – Sim, mas sua aplicação prática ainda depende da iniciativa dos gestores. A LGPD esclarece papéis e responsabilidade no tratamento das questões de dados pessoais, e a sua aplicação mais efetiva está acontecendo a partir do momento que o síndico assume seu papel de protagonista e insere essas questões na sua pauta de prioridades.
MÍDIA OFICIAL – O que se espera em relação a segurança condominial?
JOSÉ – Que o assunto também entre na pauta estratégica do condomínio, que seja entendido, debatido e implantado. O Futuro da segurança condominial passa por inovações cada vez mais inteligentes.Quero acreditar que virão outras tecnologias importantes e disruptivas, que serão aliadas da biometria, em especial na parte de inteligência artificial, com foco na análise comportamental preventiva. Essa realidade já está presente. Está acelerando fortemente. É uma realidade hoje.O maior desafio são os paradigmas e falsas expectativas dos próprios condôminos e moradores de que um porteiro tradicional venha a lhes oferecer proteção, que o mesmo seja agente de segurança, que tenha autoridade para espantar e/ou inibir ações criminosas e até que tenha habilidade ou poder de enfrentamento. Total ilusão! Em um cenário onde a tecnologia avança e os riscos evoluem, o caminho mais seguro para os condomínios está na combinação de inovação com responsabilidade. Com escolhas bem fundamentadas e profissionais qualificados, é possível transformar o controle de acesso e a segurança residencial em exemplos de eficiência e modernidade.



