Redação | Mídia Oficial | Fotos: Vatican News
O ano de 2024 foi realmente marcado por recordes de calor e desafios significativos nas negociações sobre financiamento para ações contra as mudanças climáticas
Em 2024, foi registrado o ano mais quente da história, com a temperatura média da Terra ultrapassando a marca de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais. Essa informação foi confirmada pela NASA, além de ser corroborada pelo Observatório Europeu Copernicus e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM). Esse aumento significativo nas temperaturas destaca a urgência de ações para enfrentar as mudanças climáticas.
No Brasil, eventos climáticos extremos tiveram um impacto severo, como as enchentes no Rio Grande do Sul, que afetaram mais da metade do estado; e a estiagem que atingiu cidades do Amazonas, onde o Rio Negro registrou sua menor marca em mais de 120 anos. Além disso, o aumento das queimadas, exacerbado por ações humanas e um clima mais seco prolongado, resultou em 29,7 milhões de hectares queimados, quase o dobro da área queimada em 2023, conforme dados do MapBiomas.
Cientistas já haviam alertado sobre a possibilidade desse recorde, que é um resultado direto do impacto humano nas mudanças climáticas globais. “Entre temperaturas extremas e incêndios florestais ameaçando nossas equipes na Califórnia, nunca foi tão urgente compreender as mudanças climáticas”, disse Bill Nelson, administrador da Nasa.
Para 2025, ano da COP30 em Belém, as previsões indicam um verão intenso no Brasil, apesar da possibilidade de um fenômeno La Niña breve e de baixa intensidade nos primeiros meses. Espera-se uma redução das chuvas nas regiões Sul e Sudeste, enquanto o Norte e o Nordeste devem ter precipitações acima da média. Esses fatores ressaltam a urgência de ações eficazes para mitigar os impactos das mudanças climáticas no país.
COP30
As expectativas para a COP30, que ocorrerá em Belém (PA) em novembro de 2025, são altas, colocando o Brasil no centro das discussões sobre governança ambiental. Após os resultados insatisfatórios da COP29 no Azerbaijão, a COP30 terá a responsabilidade de promover compromissos mais ambiciosos em relação ao financiamento climático. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, enfatizou a necessidade de que os países cheguem à conferência com um “sentido de urgência”.
O governo brasileiro planeja investir R$ 1,2 bilhão no combate ao desmatamento e à crise climática, além de finalizar o Plano Clima, que servirá como guia para as ações climáticas do país até 2035. Também está prevista a implementação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que visa remunerar países em desenvolvimento que preservam suas florestas tropicais. Além disso, serão lançados planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas na Caatinga (PPCaatinga) e no Pantanal (PPPantanal), com planos específicos para a Mata Atlântica e o Pampa. Essas iniciativas refletem um compromisso significativo do Brasil em enfrentar as mudanças climáticas e promover a conservação ambiental.
Desafios para o meio ambiente
O Brasil enfrenta, em 2025, o desafio crucial de impulsionar investimentos que sejam fundamentais para o desenvolvimento científico e social do país. Renato Janine Ribeiro, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC, destaca que os intensos debates em 2024, especialmente em torno da realização da COP 30, evidenciam a urgência de políticas públicas que integrem de forma efetiva o conhecimento científico.
“A SBPC vê o ano de 2025 com um moderado otimismo porque sabemos que, por um lado, o Brasil voltou a trilhar o caminho bem-sucedido do necessário investimento na Ciência, na Educação, na Saúde, na proteção ao meio ambiente e na inclusão social. Mas, por outro lado, sabemos que a situação ainda está muito difícil devido, em boa parte, aos bloqueios colocados pela situação do orçamento da União. Portanto, os investimentos que esperávamos que houvesse não estão se revelando à altura do que se imaginava”, pondera Ribeiro.
Essas políticas devem não apenas fomentar a pesquisa e a inovação, mas também garantir que os resultados científicos sejam aplicados em soluções práticas para os problemas sociais e ambientais enfrentados pelo Brasil. A colaboração entre governo, academia e setor privado será essencial para criar um ambiente propício ao desenvolvimento sustentável e à inclusão social.
Além disso, é fundamental que o Brasil busque alternativas para aumentar o financiamento da ciência, promovendo uma cultura de valorização do conhecimento e da pesquisa. O fortalecimento da educação, a capacitação de profissionais e a promoção de parcerias internacionais também são estratégias importantes para que o país possa se destacar no cenário global e enfrentar os desafios contemporâneos de forma eficaz.



