Por Fellipe Cartier | Mídia Oficial | Foto: Internet Archive
É comum anúncios de emprego solicitarem do profissional conhecimento, pró-atividade, flexibilidade, dinamismo, e etc. Mais comum ainda é a mesma vaga dar em troca um salário incompatível com tamanha exigência. Sem falar na requisição de experiência no cargo apresentado. Um contrassenso absurdo que mantém um sistema injusto, monopolizado e sem qualquer relevância.
Os “profissionais” buscam diversas formas para se manter no mercado porque o mercado exige, mas ao mesmo não utiliza o profissional plenamente: Cursos de aprimoramento, domínio de línguas estrangeiras, MBA´S e treinamentos exaustivos são algumas das exigências. Ao entrar num processo seletivo de uma empresa as provas são cada vez mais complexas, sempre abrangentes, acompanhadas de dinâmicas de grupo.
Como se não bastasse tudo isso, o funcionário deve ser capaz de realizar as mais diversas tarefas num curto espaço de tempo, dando a noção de “produtividade de excelência”. Esse processo é fruto do sistema globalizado que privilegia o profissional multimídia, ou seja, tem-se um trabalhador que sabe um pouco de tudo, mas nada com profundidade. Assim como o capitalismo, o trabalhador também torna-se um ‘ser’ superficial e descartável. A difícil tarefa de se manter num mercado que anseia por quantidades de experiências obtidas e nunca por qualidade de dados selecionados.
A cultura do digital, que preconiza o expandir dos horizontes, não produziu a fórmula da capacidade de seleção. Cada vez mais o homem (ou o profissional) não sabe seu diferencial nesse mar de dados devido às grandes exigências do mercado, assim como, não sabe canalizar sua energia para o desenvolvimento de sua(s) capacidade(s) intelectiva(s). O profissional acolhe tais exigências – quer tudo, saber tudo, noção de tudo, mas utiliza-se menos da metade. É a lei do capital onde vale muito mais o acúmulo de funções e de experiências que nem sempre corroboram para a função no qual irá executar. Essa dinâmica da superficialidade do mercado é uma dicotomia.
Fellipe Cartier é jornalista, ator e diretor.
Texto publicado 28/02/2010 – www.fellipecartier.blogspot.com



