Por Fellipe Cartier | Mídia Oficial | Fotos: Arquivo pessoal
Trajetória de Orlando Mota revela um comunicador que une mais de 20 anos de experiência, paixão pelas palavras e compromisso com o impacto social por meio do jornalismo, da educação e da comunicação pública.
Conheci Orlando Mota em 2024, quando eu trabalhava na TV Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) e ele atuava como coordenador de comunicação da Câmara Municipal de Sertãozinho. Entre ligações e entrevistas, o contato profissional rapidamente se transformou em parceria, não só comigo, mas também com a própria Assembleia. Daqueles encontros raros em que a conexão acontece antes mesmo de qualquer formalidade, porque algumas pessoas simplesmente chegam e ocupam o espaço com verdade.
O que nasceu ali foi mais do que uma relação de trabalho: foi o início de uma amizade construída na confiança, na entrega e na presença. Por isso, Orlando não é apenas um profissional da comunicação com mais de 20 anos de trajetória; ele é, sobretudo, um construtor de pontes. Jornalista, mestre em Marketing Estratégico pela Universidad de Ciencias Empresariales y Sociales, pós-graduado em Marketing e Comunicação Publicitária, além de formado em Filosofia, Letras e Pedagogia, ele transita com profundidade entre o pensamento e a prática.
Mas nenhum currículo traduz por completo quem ele é.
Orlando é um ser solar. Daqueles que iluminam ambientes com naturalidade, que conquistam pelo humor afiado, pelas tiradas inteligentes e pela leveza com que encara até os dias mais difíceis. É um amigo presente, pronto para qualquer adversidade, alguém que honra seus vínculos, seus amigos, sua família e seus colegas. Carrega na essência uma lealdade que não se negocia. Há nele também algo raro: a sensibilidade. A mesma que nasceu ainda menino, em Sertãozinho, quando descobriu o poder das palavras, esse encantamento que, como ele próprio diz, pode “engajar, salvar, curar e transformar vidas”.
Nessa entrevista ele conta que desde jovem já tinha paixão pelas palavras e decidiu seguir com o jornalismo como forma de unir seu interesse por História e Literatura. Influenciado por professores e, principalmente, pela força e sabedoria da mãe, desenvolveu um olhar sensível e observador sobre a vida, que marca tanto sua atuação como jornalista quanto como escritor; Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social e serviço público. Não só acredita – executa. Sua experiência na comunicação institucional comprova isso, afinal, sua atuação em Sertãozinho referendou a preservação da memória, da transparência e da reverberação de um trabalho robusto.
Ao refletir sobre a sociedade, ele destaca a urgência de um maior engajamento político aliado a uma educação crítica. Também celebra sua fase atual como professor, a realização de um antigo sonho de ensinar e contribuir para a formação de novas gerações. Um caminho previsível em se tratando de um Ser sensível. Aliás… Orlando é daqueles que sabem desacelerar para sentir; talvez por isso se comunique com tanta verdade. Seu olhar atento para o mundo encontra beleza nos detalhes mais simples: na luz que atravessa uma praça, nas cenas cotidianas que, para muitos, passariam despercebidas.
Ele não apenas trabalha junto, mas constrói junto. Orlando não apenas comunica, ele dá sentido. Não apenas escreve, ele toca. Não apenas passa, ele permanece. Seja como consultor, professor, produtor, apresentador, editor ou diretor, deixou sua marca em livros, aulas e projetos que dialogam com a sociedade. Porque, no fim, há pessoas que fazem carreira. E há aquelas que fazem história. Com vocês: Orlando Mota!
FELLIPE – Como era o mundo através dos olhos do menino que crescia em Sertãozinho? Que memórias da sua infância e adolescência você acredita que foram o ‘primeiro rascunho’ do jornalista e escritor que você se tornou?
ORLANDO – Primeiro, penso que esse menino continua aqui, em mim, e ele continuará por um bom tempo, pois é por ele também que acordo todos os dias cedo para ir atrás dos meus sonhos. Mas, considerando o recorte temporal da pergunta, quando tinha 14 anos de idade, eu já sentia uma vontade em querer trabalhar com as palavras. Sempre achei mágico e importante como elas podem engajar, salvar, curar, fortalecer e impactar a vida de muitas pessoas, por exemplo.
Foi nessa época que fiquei pensando em qual carreira profissional seguir. Queria fazer História, Letras ou Jornalismo. Como venho de uma família muito simples, acabei pensando em Jornalismo, pois conseguiria, na minha cabeça, unir a História e o campo das Letras.
Assim, fiz Jornalismo de 2003 a 2006, e lá se vão mais de 20 anos na área, pois diferentemente de muitos alunos que fazem o estágio durante a faculdade, fiz o processo inverso: comecei a trabalhar em um Jornal em Sertãozinho (Momento Atual) e um ano depois prestei vestibular para Comunicação Social – Jornalismo.
Gosto sempre de dizer que, na escola, no ensino fundamental, 1996 e 1998, e no ensino médio, 1999 a 2001, tive excelentes professores que apostaram, apoiaram e acreditaram; alguns deles são meus amigos até hoje como, por exemplo, a Wilma Sueli e a Fernanda Andreoli.
FELLIPE – Se a gente pudesse “entrevistar” o adolescente que você foi, que tipo de histórias ele estaria contando pelos cantos da cidade? Como essa fase da sua vida moldou o seu olhar crítico para o jornalismo e a sua sensibilidade para a literatura?
ORLANDO – Eu sempre gostei de contemplar a vida, mesmo quando ela dava algumas rasteiras. Tenho uma mãe poderosa, a dona Helena, que sempre nos ajudou nesse sentido, em enfrentar os problemas com garra e a seguir em frente com ternura.

Portanto, aquele Orlando da adolescência estaria falando de coisas bonitas do final dos anos 90 e início dos anos 2000, das pessoas, das novidades, das questões essenciais e enriquecedoras daquele contexto. É pertinente dizer que foram esses olhares, essas fantasias e alguns enredos que me ajudaram a moldar o meu lado mais observador sobre a vida. Até hoje sou assim, fico emocionado com uma cena de novela, com um texto bem escrito…
Quando vejo uma imagem na rua impactante, quando ouço uma música bonita, quando lembro de algo ou alguém, sinto-me tocado por essa vida – tão cruel, às vezes, é tão interessante. Essa dicotomia, das surpresas da vida, é extremamente encantadora. A propósito, eu amo viver, mesmo em tempos tão difíceis como os de agora. Você sabe que vez ou outra, gosto de fazer caminhos alternativos para chegar em minha casa, aos compromissos diários, enfim, pois gosto de observar outros cantos, ver outras cenas, notar outros ritmos.
Dias atrás, estava correndo para chegar a um compromisso, eu notei que havia uma irrigação numa praça perto de casa. A água molhando as flores pequenas que, por sua vez, pareciam sorrir, um reflexo do sol divino em parte do gramado, não pensei duas vezes! Voltei e disse, vou me dar esses minutinhos só para observar tudo isso, entende?
É sobre desacelerar e simplesmente contemplar, valorizar e agradecer por estarmos aqui, vivos!
FELLIPE – Qual é a sua lembrança mais remota de encantamento com as palavras?

ORLANDO – Sempre gostei de estudar, minha brincadeira preferida era “escolinha”. Fingia que sabia ler, que era o professor da turma e que estava ensinando… Mas, como já disse anteriormente, eu tive uma professora maravilhosa de Língua Portuguesa, a Wilma Sueli, que sempre trabalhava com os alunos. Certa vez, ela trabalhou em um livro que se chama “Doce Manuela”. Nós tínhamos que ler, fazer uma resenha e responder algumas perguntas básicas. Tenho esse trabalho até hoje, quase 30 anos depois. Esse encontro de almas mudou tudo. Somos amigos até hoje.
FELLIPE – O que te levou a escolher a comunicação como carreira?
ORLANDO – Eu simplesmente sou encantado pelo processo da informação. O Jornalismo tem esse poder que é de orientar, formar, auxiliar, subsidiar e, evidentemente, impactar a vida das pessoas.
Gosto do Jornalismo com viés de serviço público, quase didático mesmo. Jornalismo sério pode mudar os rumos de várias vidas à medida que essas pessoas se apropriam dessas informações e dão uma nova angulagem para os seus contextos de vida. Isso é maravilhoso!
FELLIPE – Como jornalista, você escreve o rascunho da história. Como escritor, você cria mundos. Qual dessas formas de escrita você acredita que diz mais sobre quem você é hoje?
ORLANDO – As duas formas! Eu preciso da seriedade e da realidade do jornalismo, assim como da fantasia literária para viver. É bem verdade que o mundo de hoje acaba misturando as duas coisas. Ora, a vida é tão cruel estampada nas páginas dos jornais, ora é tão rica e prazerosa nos contos literários. É uma junção, a gente separa por uma questão de cunho textual, mas uma precisa da outra, e nós das suas para seguirmos.

FELLIPE – Como foi a transição de um jornalista que reporta os fatos para um gestor de comunicação que precisa dar transparência aos atos da Câmara de Sertãozinho? O que mais te desafiou nessa mudança?
ORLANDO – Quando estive à frente dessa função, eu sempre priorizei entender que aquele local era para além das questões políticas partidárias. Eu sempre vi aquela estrutura como um sinônimo de formação da sociedade, tanto que fui o primeiro jornalista da TV Câmara de Sertãozinho, ajudei, com o auxílio de várias pessoas, a colocar a emissora “em pé” e torná-la em tão pouco tempo uma referência, pois conseguimos colocar nossas pautas em emissoras estaduais, nacionais e sempre com muitos elogios às produções que criamos. Foram mais de 300 conteúdos, mesclando as atividades parlamentares, as ações culturais e as histórias da cidade. Nosso papel como jornalista é também esse: ser uma espécie de guardião dos fatos de hoje e que serão histórias amanhã.
Foi uma experiência desafiadora, mas extremamente satisfatória. Quando vejo que nossos trabalhos chegaram em Assembleias Legislativas de várias cidades, do estado de São Paulo, TV Senado, Câmara dos Deputados de Brasília, meu Deus, que orgulho de uma equipe coesa e disposta. Fizemos um bom trabalho, uma pena que hoje a realidade é outra!
FELLIPE – Depois de tantos anos observando o poder de perto através da comunicação política, como sua visão sobre a sociedade e as pessoas mudou?
ORLANDO – Vejo que a sociedade avança em muitas frentes, mas em outras nem tanto. Falta vontade em acompanhar de perto as decisões políticas. É bem verdade que a classe política não ajuda muito, mas penso que poderia haver mais engajamento do povo frente às pautas políticas e um interesse genuíno àquilo que pode mudar sua vida. Faltam Letramento, Letramento Político e Leitura de Mundo a algumas parcelas da sociedade. Há uma lacuna muito grande em nosso país, uma educação que prepara o aluno para uma avaliação pontual, mas pouco para as questões de ordem prática da vida.

FELLIPE – O que o seu ‘eu – criança” diria se soubesse que você foi responsável por comunicar as decisões de uma cidade e que publicaria seus próprios livros?
ORLANDO – Ao longo destes mais de 20 anos, recebo o carinho de muitas pessoas que dizem acompanhar, gostar, admirar o meu trabalho. Fico feliz, envaidecido, evidentemente, mas por outro lado sinto o peso dessa responsabilidade. Construir uma imagem profissional é uma tarefa árdua, desafiadora e exaustiva. Trabalhei e trabalho muito para seguir aquilo que estabeleci como algo que entendo que seja assertivo e propositivo. Gosto de qualidade nos projetos que receberão a minha assinatura, sou muito dedicado e exigente. Já declinei de vários projetos interessantes por, naquele momento, pensar que eu não estaria 100%. Gosto de estar entregue de corpo e alma nos projetos. Portanto, acredito que aquele Orlando da infância está muito orgulhoso e feliz com a condução que dei à vida em meio aos acertos e erros diários.
FELLIPE – Sei da importância da sua mãe em sua formação como homem e como profissional. Se você pudesse dedicar um capítulo inteiro da sua trajetória a ela, qual seria o título e qual lição de vida dela não poderia faltar?

ORLANDO – Helena, dentro da sua simplicidade, é uma das mentes mais sábias que conheço. Minha mãe trabalhou como diarista e criou quatro filhos praticamente sozinha, pois meu pai, que faleceu em 2024, tinha sérios problemas, especialmente ligados ao consumo de bebidas alcoólicas.
Pense: minha mãe sai de Minas Gerais, passa a trabalhar como diarista, utiliza os meios de transportes sem saber ler e escrever, orientando-se por números e cores dos ônibus, e consegue educar quatro crianças so-zi-nha!
Ela é minha maior referência. E minha referência como ser humano, uma pessoa paciente, sábia, honesta, zelosa, caridosa e preocupada com as pessoas, algumas que ela mal sabe o nome. Minha mãe veio para nos proteger no sentido mais amplo da palavra.
Quanto a esse suposto livro, ela seria o prefácio, todos os capítulos, posfácio, enfim, obra completa. O título seria “Doce Helena, minha motivação diária”, e não poderia faltar as milhões de histórias e estórias que ela viveu, contou e ajuda a escrever todos os dias.
FELLIPE – “Se está na Mídia, é Oficial”, o que você oficializa aqui?
ORLANDO – Dizer que, neste ano, passei a fazer oficialmente algo que também amo que é estar em sala de aula com alunos. Estou vivendo uma nova fase da minha vida como professor de crianças pequenas (2º ano do ensino fundamental, eles têm entre 7 e 8 anos), está sendo uma experiência deliciosa e, de certa forma, estou rejuvenescendo aquele sonho antigo que citei no início dessa conversa, ou seja, estou colocando em prática a atividade da docência – algo maravilhoso, desafiador e extremamente necessário à sociedade.




9 Comments
Parabéns pela sua trajetória já construída e pela que está em construção.
Parabéns pela sua trajetória já construída e pela que está em construção. Como mencionado: “Construir uma imagem profissional é uma tarefa árdua, desafiadora e exaustiva” e você tem feito isso de forma majestosa🥰🥰👏🏻👏🏻👏🏻
Orlando foi amor a primeira vista, pessoa leve e transparente, e depois do que li, quero saber mais e mais dessa pessoa maravilhosa. Deus o abençoe e proteja, ilumine sempre seus passos com saúde, sabedoria e essa capacidade de amar.
Orgulho desse meu amigo!!!
Ele é gente grande!!!!
Parabéns Orlando pelo lindo trabalho. Que Deus o ilumine e abençoe sempre. Abraço
Parabéns Orlando pelo lindo trabalho. Pelo esforço e dedicação. Um exemplo de garra, forca e determinação. Que Deus o ilumine e abençoe sempre. Abraço
Conheço Orlando Mota…. Pessoa abençoada e maravilhosa. Amo ser sua amiga meu lindo . Orgulho de você cada dia mais.
Falar sobre o Orlando é só elogios um ser humano incrível profissional excelente amigo para todas as horas tenho grande admiração por ele e me sinto honrada em fazer parte do ciclo de amigos desse grande homem.
Parabéns, Orlando, por mais este “evento” na sua vida. A principal lição que deixa com esta entrevista: não bastam apenas as oportunidades; é preciso muito empenho e reconhecimento para transformar sonhos e anseios em realidade.