Por Carlos Calado | Mídia Oficial | Fotos: Archive internet
Nesse encontro vamos exaltar um de nossos Folguedos, que entre tantos outros existentes na nossa cultura brasileira, esse tem por sua essência ligações direta com a formação do nosso povo miscigenado. Estamos nos referindo aos Maracatus.
Os Maracatus de Baque Solto ou os Maracatus de Baque Virados, tem suas origens tão profundas que em Pernambuco, no período que existia a Corte dos Reis Negros em 1666, já faziam parte das narrativas de viajantes, assim como a Coroação de Reis Negros do Congo e de Angola, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Estes fatos eram descritos nos diários de Pernambuco em suas edições.
As nações assim como era citados os Maracatus naquele época, percorriam a tarde algumas ruas da cidade, divididas e cada uma delas tinha o seu rei acobertado a frente por uma grande umbela ou chapéu de sol de variadas cores, tudo transcorria na maior paz e tranquilidade, porém mesmo assim as autoridades já vigiavam os cortejos, afim de evitar alguns distúrbios caso ocorre-se.

Em Recife a expressão “Maracatu” apareceu a partir da primeira metade do século XIX, para denominar um ajuntamento de Negros.
Antônio Oliveira que era intitulado Rei do Congo, solicitou ao desembargador chefe de polícia em 1851, na cidade de Recife uma petição queixando se de outra nação, que sem estarem lhe prestando obediência, estariam reunido os de seu grupo para Folguedos públicos com a intenção de desrespeitá-lo.
Essas reuniões já estavam sendo denominadas como Maracatus pelos seus integrantes, porém as saídas as ruas por esses grupos sempre geravam confusão, por isso o rei do Congo não queria a permanência desse grupo.
Após a abolição da escravatura negra de 1888, e a proclamação da República de 1889, a figura do rei Congo Muchino Ria Congo, perdeu sua razão de ser, e os cortejos dos reis negros já integraram o carnaval, contagiando o público com seu ritmo forte e seus mistérios, ou seja, o que a maioria das pessoas sabem é que se trata de uma manifestação cultural típica do estado de Pernambuco da cidade de Recife.
Tendo suas origens nas práticas afro-brasileiras das corações de reis e rainhas negras, é uma tradição que podemos dizer ser singular com diversas particularidades, resolvi abordar algumas para conhecimentos mas apurados de todos os leitores.
A personagem principal dentro dos Maracatus é a “boneca preta”, também chamada de calunga que é carregada pelas damas do paço dançarinas especiais, são tratadas como princesas dentro do grupo, e ainda integrado a esse grupo de elite temos o rei e a rainha, o príncipe e a princesa, os outros componentes são os caboclos, lanceiros e as baianas.
A dança do Maracatu é lenta e vigorosa, podemos dizer que e quase uma marcha porém com muita sensualidade e sonoridade, caracterizada com frases bem marcadas de seus tambores graves, e pela potência do conjunto percussivo de passo único.

Sobre seus instrumentos podemos afirmar as seguintes características:
GONGUÊ – É formado por uma campânula de ferro e um cabo que serve de apoio, tem seu formato aproximado- se de um sino de ponta a cabeça ou um agogô de uma só boca. Suas frases rítmicas são geralmente formadas por contratempos e síncopes com grande liberdade de improviso.
ALFAIAS – Ou também conhecidas como como bombos, que são na verdade tambores de dimensões grandes, originalmente feitos de barris de madeira, com frases sincopadas e bem marcadas, são responsáveis pela característica principal de cada toque ou baque e também podem vir a dividir um grupo pelo seu tamanho ou afinação, tendo cada grupo uma função rítmica sempre.
CAIXA DE GUERRA – É um tambor agudo que possui na pele de resposta uma esteira ou bordão produzindo um som rufado e característico. Suas frases rítmicas tem grande quantidade de notas, o que dá a este instrumento a possibilidade de coordenar juntamente com os tarois que dão as chamadas para os outros instrumentos.
TAROL – É mas agudo que as caixas de guerra e com um som mas rufado, seguem basicamente as linhas das caixas, porém com maior número de variações rítmicas e as frases mas livre.
GANZÁ – Conhecido também como mineiro, chocalho cilíndrico responsável pelos registros mas agudos do conjunto. Um dos instrumentos mas versáteis de nossa cultura, pois possuem inúmeras variações rítmicas.
Nesse nosso primeiro encontro, trouxe um pouco das nossas raízes culturais, que é tão apreciada pelas demais nações do mundo, vejo eu que devemos nos orgulhar da nossa formação miscigenada.
Até breve!
Carlos Callado é gestor e produtor cultural, professor de artes e colaborador do site Mídia Oficial.



