Por Eduardo Cartier | Mídia Oficial | Foto: Internet Archive
A relação do corpo com o movimento humano está diretamente imbricada na construção do ser humano. Faz parte da constituição humana o movimento. Que permite a relação diária na busca de anseios e objetivos, bem como na própria manutenção da vida com suas dimensões biofisiológicas entre outras. Esta relação corporal idealizada em contextos mais reflexivos tem sido evidenciada a partir da corporeidade. Portanto, significa perceber a relação corporal como forma de manifestação de linguagem. E nesta linguagem, compreender as perspectivas temporais, que assolam a humanidade.
Em determinado momento da história o corpo foi visto, preponderantemente, como uma possibilidade de adestramento e docilidade. Em outros, como sinônimos de saúde, beleza e defesa da honra. Nesta esteira, diversas conotações políticas e econômicas estiveram determinando a compreensão do corpo. Assim como o diálogo, o movimento faz parte de todas as esferas da existência humana, sendo fator de humanização. Em qualquer setor que apareça, a práxis inovadora é feita de materiais objetivos e subjetivos, de sonho e realidade, do possível e do utópico, e esse o motor da transformação, ele que faz o ser humano derrubar muralhas, abrir clareiras e habitar o mundo, de fato, por isso a necessidade de diálogo e a práxis criadora serem cultivados nas práticas educativas.
O desenvolvimento do ensino na formação do profissional em Educação, só faz algum sentido quando os docentes que atuam como formadores compreendam certa visão filosófica, científica e técnica, aliada ao exercício do ensino de natureza prática e reflexiva. A luz da compreensão de Alvarado Prada (1997), a formação para a docência, numa perspectiva histórica, é um processo em construção desde tempos remotos da vida de cada professor – ou seja, desde os seus primeiros anos de vida – e não só durante o período de estudos empreendidos em faculdades ou universidades, que alguns denominam de formação inicial. A presença do ser humano em movimento na realidade é tipicamente interferência tácita e nesse sentido agente de conformação ou transformação social.
Ao admitir o movimento e corporeidade como base formadora da educação formal para uma educação integral, o desenvolvimento humano em sua magnitude está totalmente integrado aos desígnios de uma prática social, bem como o exercício da cidadania e a ideia de exploração de uma representatividade justa, igual e democrática. As discussões de cunho reflexivo rompem com a visão até então predominante de corpo máquina para propor práticas corporais que vão ao encontro da superação e emancipação do ser humano. Há de se pensar como sua corporeidade impacta no processo de educação nacional, bem como no processo de formação humana? Pois, a educação integral está implícita naquilo que compreendemos de corpo e sua relação com o mundo. O que o corpo significa para você?
REFERÊNCIAS
ALVARADO PRADA, L. E. Formação de docentes em serviço. In: Formação participativa de docentes em serviço. Taubaté, SP: Cabral Editora Universitária, 1997.
Eduardo Cartier é professor de Educação Física Doutor em Ciência da Cultura Física. Autor do Livro “Monstros do Armário” 2022.



